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sábado, 31 de março de 2018

Três anos de Sara

Meu raio de sol pequenino, fazes três anos hoje. Que posso dizer  a quem não te conhece sobre quem tu és? Que posso eu escrever sobre a criança que és para que um dia ao leres as minhas palavras saibas, percebas e sintas intrinsecamente o quanto és amada, o quanto és maravilhosa? 
Deixa-me contar-lhes, e a ti, sobre a tua gargalhada. Da maneira como faz com que todos à tua volta parem para te ouvir, como se o tempo fosse nada e as urgências congelassem quando tu te ris minha filha. 
Deixa-me contar-lhes como és decidida, como a tua primeira resposta é eu sei e eu consigo, mesmo quando ainda nem começaste, como essa força e essa energia contagia quem te observa, como inspiras nos outros coragem. Deixa-me contar-lhes como és generosa com o que é teu, como te preocupas com as costas da mãe e os joelhos esfolados da mana, como brincas sozinha durante muito tempo e eu fico a olhar-te. Deixa-me contar-lhes como não gostas de falhar e adoras desafios, como franzes o sobrolho para mim de zangada que ficas e assim que eu te imito nos rimos juntas.  
Podia ainda falar-lhes, e a ti, da maneira como gostas de estar na rua faça chuva ou sol, da forma como cada gota de água no chão é para ti uma poça a ser explorada, como recebes com genuína alegria e desprendimento todos os sapatos, vestidos e brinquedos que já foram da tua irmã, como fazes com que aqui por casa se esqueçam dores e desalentos quando ergues esses olhos castanhos e nos olhas por dentro. Podia contar-lhes tanto de ti minha filha mas nunca chegar a conseguir explicar-lhes, ou a ti, o quanto o meu peito se enche de vida, de amor, de ar, só de te olhar, só de te sentir perto. 
Esta semana, saltaste para dentro de uma piscina de bolas de plástico, ficaste ali um momento até decidires e depois deste um mergulho. Eu estava a observar-te e vi-te toda, entregue, rendida e ao mesmo tempo forte, com a coragem que nasceu contigo e que te dá esse ar de quem é capaz de enfrentar qualquer mar minha doce Sara. 
Deixa-me contar-te, só mais uma vez antes de te acordar, que se houve, algum dia, a dúvida do amor gigante que sentiria por ti, essa há muito que se desvaneceu.  



quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Almofada de alianças bordada à mão: Embroidered wedding ring bearer pillow

(scroll down for english) 
A minha prima Marta casou em Agosto e eu queria oferecer-lhe um presente especial. Um presente que tivesse significado e ao mesmo tempo que lhe fosse útil, que ela pudesse guardar para as filhas ou filhos dela (sem pressão nenhuma prima! ;-) ) se ela e/ou eles assim o desejarem. Acredito nestas peças e no valor que adquirem dentro de uma família. Gosto de imaginar que o linho perdura, o fio se mantém e o amor de cada ponto com eles se segura.  
Comecei por fazer o desenho de um motivo floral e rapidamente passei para o bordado. Usei um tecido de 100% linho que comprei há uns tempos na loja Pra Kriar em Lisboa e fio dourado - Metallic Thread - da Anchor que é lindo e como tem alguma elasticidade é muito mais fácil de trabalhar que as linhas Lamé (estas são mais "rigidas"). No centro cosi uma fita para segurar as alianças e conseguir dar um laço bem bonito. 
Adorei fazer esta peça e tenho muita vontade de repetir com tecidos diferentes e linhas diferentes. O desenho simples permite muitas interpretações que facilmente se adaptam a outros gostos. Acho que ia funcionar lindamente branco com branco, por exemplo, ou outra combinação monocromática. Acho que não vou esperar por outro casamento, acabei de ter uma ideia enquanto escrevia sobre esta experiência! <3  ;-) 

My cousin Marta married in August and I wanted to offer her a special gift. A gift that had meaning and at the same time that would be useful to her, that she could keep for her daughters or her children (no pressure at all! ;-)) if she and/or they so wished to. I believe in these pieces and the value they acquire within a family. I like to imagine that the linen lasts, the thread stays and the love of each stich keeps them all together. 
I started by drawing a simple floral design and quickly moved to the embroidery. I used a 100% linen fabric that I bought some time ago in the Pra Kriar store in Lisbon and the gold thread - Metallic Thread - from Anchor that is beautiful and because it has some elasticity it is much easier to work than the Lamé lines (these are more " rigid "). In the center I sewed a ribbon to hold the rings and manage to make a pretty bow.
I loved doing this piece and I really want to repeat it with different fabrics and different threads. The simple design allows for many interpretations that easily adapt to other tastes. I think it would work beautifully white on white, for example, or another monochrome combination.
I guess I will not wait for another marriage, I just got an idea while writing about this embroidery! <3 ;-)

 


segunda-feira, 6 de março de 2017

Roupa de Boneca Waldorf: Waldorf Doll Clothes

(scroll down for english)
O processo criativo é algo maravilhoso e verdadeiramente complexo de explicar, o que nos motiva o que nos impele, o que nos faz criar e o quê. É extremamente estimulante conversar com pessoas criativas e perceber as suas motivações é, muitas vezes, verdadeiramente surpreendente.
No meu caso, adoro aprender e tenho uma curiosidade gigante pelos mais variados temas. Vou saltando de uma coisa para outra com uma vontade febril de saber mais, de experimentar. Leio muito, pesquiso ainda mais e tento aprender, consciente de que tudo isso faz parte de um processo que me faz bem, que me ajuda a manter centrada e mais feliz. Este fim-de-semana estive a fazer roupas de bonecas, mais especificamente para bonecas Waldorf e adorei fazer roupa pequenina, com igualmente pequenos detalhes. Não é fácil, exactamente porque é tudo tão pequeno mas o resultado é delicioso. 
Quando acabei as roupas pensei "e uns sapatos?". Mais uma vez, fui pesquisar e na base da tentativa erro consegui fazer aqueles sapatos e não vos posso dizer a felicidade que um par de sapatos de boneca me deu. Parece tolo mas nem sempre, como diz o Alain de Botton numa Ted Talk extraordinária sobre o que é ser bem sucedido, aquilo que pensamos que nos vai fazer feliz é o que nos verdadeiramente satisfaz.
 Para mim, criar e partilhar é uma grande parte do que me deixa feliz. 

The creative process is something wonderful and truly complex to explain, what motivates us, what drives us, what makes us create and what do we end up creating. It is extremely stimulating to talk to creative people and realize their motivations and its often truly a surprise. 
In my case, I love to learn and I have a great curiosity for the most varied subjects. I jump from one thing to another with a feverish desire to know more, to experiment. I read much, I research even more, and I try to learn conscious that all of this is part of a process that does me good, which helps me stay focused and happier. 
This weekend I was making doll clothes, more specifically for Waldorf dolls, and I found I love making small clothes with equally small details. It's not easy, exactly because it's all so small but the result is delicious.
When I finished the clothes I thought "and what about some shoes?". Again, I went searching and on the basis of trial and error I managed to make those shoes and I can not tell you the happiness that a pair of doll shoes gave me. It seems silly, I can understand it sounds silly, but not always, as Alain de Botton says in an extraordinary Ted Talk about what it is to be successful, what we think will make us happy is what truly satisfies us.
For me, creating and sharing is a big slice of what makes me happy. 







sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Bordar, gosto tanto; Embroidery, I love you so

Comecei a bordar a meio de Dezembro, o ano acabava e eu sem conseguir coser. Passei de curiosa a praticante depois de ver os vídeos do curso de bordado grátis da Ana Isabel Ramos, do Air e recomendo vivamente. 
Muitas vezes o que mais custa é começar, quebrar a barreira do que nos prende às ideias que tínhamos de uma coisa e começar é mesmo construir uma realidade, a nossa. No meu caso, foi encontrar algo que sei, que sinto, que adoro. 
Aprendi muito em quase três meses, sou o tipo de pessoa que vê 30 000 vídeos, procura livros, dicas e truques, fico obcecada (parcialmente, sejamos gentis) com uma coisa e quero saber tudo, aprender tudo. Todos estes projectos me deram algo, me ensinaram algo, e essa é para mim a grande felicidade de aprender e de fazer. 
Bordar, é uma arte das mãos e do traço. É meditativo e cada ponto leva uma parte de mim. Da minha atenção e do meu carinho, da minha dedicação, da minha criatividade. Outra vantagem maravilhosa é que dá para levar na mala e fazer em qualquer lado! Sim, para uma fazedora compulsiva como eu, isto é uma vantagem maravilhosa. 
Tenho feito bastantes projectos mas foram todos para oferecer, o único que vai ficar cá por casa é o que fiz para ele, o meu R. Deixo-vos adivinhar qual é das fotos abaixo ;-) 

I started to embroider in the middle of December, the year was almost over and I had no time to sew. I went from curious to practitioner after seeing the videos of the free embroidery course of Ana Isabel Ramos, Air, and I strongly recommend it. 
Often, what´s harder is to start, to break the barrier of what holds us to the ideas we preconceived and to begin is to build a reality, ours. In my case, I found something that I know, that I feel, that I love. 

I've learned a lot in almost three months, I'm the kind of person who sees 30,000 videos, looks for books, tips and tricks, I get obsessed (partially, lets be kind) with one thing and I want to know everything, learn everything. All these projects gave me something, taught me something, and this is for me the greatest happiness of learning and doing.
Embroidering is an art of hands and trace. It is meditative and each small stitch takes a part of me. Of my attention and of my affection, of my dedication, of my creativity. Another wonderful advantage is that you can pack and carry it anywhere! Yes, for a compulsive doer like me, this is a wonderful advantage.
I have done a lot of projects but they were all to offer, the only one that will be staying at home is what I did for him, my R. I'll let you guess which one if from the photos below ;-)









Illustration by Ana Sílvia Agostinho, from the book Mamã Cartoon. 

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Os presentes da minha filha: My daughter's gifts

(scroll down for English)
Há um mês ou dois uma amiga partilhou, na sua pagina de facebook, o trabalho da fotografa Melissa Kaseman e eu apaixonei-me pela série Preschooler Pocket Treasures. Visitem a página e deliciem-se com a beleza do seu trabalho. 
No singelo daquelas fotos vê-se uma infância, percebem-se planos e desejos, sente-se a energia das cores e a fantasia de uma criança pequena. São pequenas coisas, um lápis ou uma lantejoula, um papel amarrotado ou uma pena, tesouros de verdade. Para mim, que tenho uma filha recolectora, fez todo o sentido. E foi inspirada no trabalho desta fotografa que comecei a registar todos os pequenos presentes da minha filha.
A minha Carolina traz-me, sistematicamente, prendas da escola; flores e folhas para mim, paus e pedras para ela.  Muitas dessas flores nem chegam a ir para a jarra... fizeram uma viagem de carro apertadas nas mãos de uma menina de quatro anos, algumas não têm caule/pé sequer, outras já vêm com as pétalas meio comidas e algumas são flores secas nas quais ela viu uma beleza ainda por desaparecer. Eu agradeço com um abraço, os beijos que ela me permite naquele momento e igual entusiasmo para todas. 
Este é o registo das últimas duas ou três semanas. Fotos tiradas em cima da bancada da cozinha, no telemóvel, sem edição. Vê-las aqui agrupadas faz com que fique de coração apertado, mas um apertado bom. Sou doida por esta miúda e suspeito que ela também gosta de mim um bocadinho pequenino. 

A month or two a friend ago a friend shared, on her facebook page, the work of the photographer Melissa Kaseman and I fell in love with the Preschooler Pocket Treasures series. If you can, visit the page and delight yourself with the beauty of her work.
In the unpretentiousness of those pictures you see a child, understand plans and desires, you feel the energy of color and the fantasy of a small child. They are small things, a pencil or a spangle, a crumpled paper or a pen, real treasures indeed. For me it made perfect sense, I have a gatherer daughter to say the least. So it was inspired by her work and this shooting that I started to register all of my daughter's small gifts.
My Carolina brings me, systematically, gifts when she comes from school; flowers and leaves to me, sticks and stones for her. Many of these flowers do not even go to a jar... they made a car ride in the hands of a four year girl, some have no stem / foot, others come with the petals all bitten and some are dried flowers in which she saw a beauty still to disappear. I thank her with a hug, all the kisses she allows me at that time and the same enthusiasm for all.
This is the record of the last two or three weeks. Photos taken on the kitchen counter, on the phone, without editing. Seeing them all together really makes my heart shrink a bit, I love this girl so much and I suspect she loves me back. 

quinta-feira, 31 de março de 2016

Pequena Sara

Doce Sara. Um ano de vida a iluminar a nossa. 
Tens cinco dentes. Dois em cima, um enorme e outro com metade do tamanho do primeiro, e três em baixo, uns coladinhos aos outros e bem pequeninos. Este pequeno aglomerado de dentes está sempre a aparecer, sorris a cada oportunidade. Ontem, aprendeste a dizer adeus. O mês passado a dar beijinhos. O primeiro foi para a nossa Miss Caracolinhos. Uma boca aberta, muita baba e quatro olhos a brilhar de felicidade, os meus e os teus. 
Sabes dar abraços. É uma sensação maravilhosa e surpreendente o sentir um bracinho de cada lado do meu pescoço. Uns bracinhos tão pequeninos e tão generosos. Adormeces de mão dada comigo e esses dedos gordinhos seguram tanto as minhas mãos como o meu coração. Agarras os livros e viras as páginas como se as letras já falassem para ti. Não gostas de ser contrariada e todos os dias me ensinas a arte da paciência, umas vezes mais facilmente e outras nem por isso. 
Gatinhas atrás da tua irmã e é enorme o teu amor por ela, palpável, como deve ser, como eu sonhei que seria. Pequena Sara, de cabelo dourado, és o nosso pequeno raio de sol.
Parabéns meu grande pequeno amor.


sábado, 2 de janeiro de 2016

2016

Escrever é um exercício e uma forma de terapia. Enquanto faço a triagem de palavras na minha cabeça vou-me apercebendo do que me move, magoa, altera, condiciona, impele e ajuda a crescer. Por vezes, enquanto escrevo no ar palavras que são só minhas, durante muito ou pouco tempo, descubro mais sobre mim. 
Outras vezes, escrever é, simplesmente, a melhor forma de recordar. 
O ano passado, no dia 31 de dezembro de 2015, escrevi este texto e, hoje, foi maravilhoso voltar atrás e reconhecer-me nele. Sentir cada palavra como minha, cada esperança e desejo como promessa cumprida e cada gesto de amor que ambicionei completo em mim e nesta família que me acompanha. 
A promessa de uma filha amada cumpriu-se e ela é mais, muito mais do que o meu coração estava à espera. Devia ser sempre assim o amor por um filho. Enorme. Gigante. Cheio de cheiros e calor, de mãos e pés pequenos que se enroscam em nós, de muito colo e beijinhos no pescoço, de risos fartos e palermices mil. Que sortuda que me sinto quando olho para os seus doces olhos castanhos. Obrigada pelo teu amor minha pequena. 
Quanto à Miss Caracolinhos é uma fantástica irmã mais velha. Deixa que a irmã lhe puxe o cabelo sem se zangar muito com ela, apanha mil vezes o mesmo brinquedo que de propósito foi atirado ao chão, partilha o colo sem muito exigir em troca, faz de cavalinho e dá-lhe beijinhos sempre que pode. Não se pode querer melhor, não é? 
O amor dele, o meu amor maior, continua a fazer-me bater o coração com força. Sem palavras para o quanto me sinto grata por este amor, pela família que me deu, por tudo o que queremos e vivermos juntos. És tanto. 

Em 2015 tivemos o milagre da vida mas também a perda se fez sentir por aqui. Perdemos alguém que amávamos muito e isso fez-nos sofrer enquanto família e individualmente. Afinal, não existe dor partilhada, cada uma é única, reveste-se de roupas próprias e faz os danos que consegue. É a única coisa que não desejo que se repita em 2016, a dor, a perda, a tristeza. 
Tudo o resto pode ser assim, na mesma maravilhosa dose de amor.

Obrigada a quem me lê por aqui. 


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Caramelos

O Natal está a chegar. Parece que quanto mais tempo passa e mais filhas tenho (ah ah ah :-) ) mais gosto do Natal. Não o Natal do comprar porque sim mas o Natal do fazer porque é tão bom partilhar, porque é tão bom dar aos outros um doce, um mimo, um carinho especial. 
Sem fundamentalismos é claro. Uma coisa que aprendi (à força) nestes últimos dois anos é que não consigo fazer tudo e o tentar fazê-lo a todo o custo tira a magia do dar. 
Deixo-vos uma receita maravilhosa para quem for guloso ou quiser fazer para oferecer aos amigos... Basta cortar aos cubos com uma faca afiada e enrolar em papel vegetal. Eu estou a tentar, a sério, mas acho que não vamos conseguir oferecer muitos. 
Derretem na boca meus amigos, derretem na boca... ;-) 

Espreitem aqui para a receita.  
Notas: usei manteiga com sal e não usei baunilha. 


sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Banda sonora para hoje

Porque os teus abraços são os melhores, têm tudo dentro deles. Passado, presente e futuro. 

I thought love wasn't meant to last
I thought you were just passing through 
If I ever get the nerve to ask 
What did I get right to deserve somebody like you? 
I wasn't expecting that 


terça-feira, 6 de outubro de 2015

3 + 1

Mudei. A morada continua a mesma mas a pintura da casa é diferente. 
Há seis meses nasceu a Sara e o nosso pequeno mundo cresceu, aumentou, expandiu. E, se na altura não houve tempo nem genica para mudar o penteado por aqui, passados 6 meses tinha mesmo que ser. 
E que tal... 3 + 1, parece-vos bem?

I Changed. The address remains the same but the house painting is different.
Six months ago Sara was born and our small world grew, increased, expanded. And if at that moment there was no time or will to change the hairstyle here, after 6 months we had to make time for it.
How about it ... 3 + 1, do you like it?

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

6 meses e um mosaico

Sara. 
Seis meses. 
Nem acredito que já passaram 6 meses desde o dia que te cheirei, senti, apertei pela primeira vez. 
Estás tão crescida. 
De costas direitas olhas o mundo e insistes em ficar sentada, deitada é coisa para bebés. 
Estás sempre a exibir essas gengivas desdentadas e rapidamente amoleces o coração de quem chega perto de ti.
Sorris quando acordas e nos encontras ao teu lado.
Os teus pés e as tuas mãos tão gordinhas são a minha perdição.
Gritas para que a nossa Miss Caracolinhos te olhe e para ela estás sempre pronta a rir. 
Agarras o meu pescoço e encostas a cabeça naquele espaço mesmo por baixo da clavícula que eu suspeito que tenha sido feito só para isso.
Agradeço hoje seis meses de ti meu amor tão pequenino. 

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Irmã mais velha

A minha Miss Caracolinhos é uma irmã mais velha maravilhosa. Quero nunca esquecer-me disso. Quero que ela o saiba. Mas, do alto dos seus três anos, sei que o vai esquecer com facilidade mesmo que lho repita muitas e muitas vezes. Espero que o sentimento não desapareça, que esse ela não o esqueça quando já não se lembrar das minhas palavras. 
A bebé Sara não gosta de andar de carro. Nada. Chora muito e eu sofro com ela. Não adianta parar o carro, cantar, falar com ela que o choro continua. Então, no meio do meu desespero, é ela, a mana mais velha, que canta para a pequena Sara, é ela que lhe dá a mão e, quando eu me emociono com isto, é ela que diz «Não chores mãe, temos que acalmar a Sara». Tão crescida está a minha filha e que coração tão grande ela tem. Impressionante como uma voz tão pequenina pode acalmar dois corações que sofrem.



segunda-feira, 24 de agosto de 2015

E acabou.

Já aqui falei do amor que sinto pelas minhas filhas em várias ocasiões. Também já falei do amor que sinto pelo R muitas vezes mas poucas foram as que falei do amor que o meu R sente pelas nossas duas filhas. Parece certo que assim seja, afinal este é o meu canto de terapia e não o dele. Desculpa se hoje falo um pouco de ti, é só um bocadinho mesmo, porque eu preciso e porque tu mereces. 
Hoje foi o seu primeiro dia de trabalho depois de quatro meses em casa connosco. Foi ele que gozou a licença de paternidade e não eu. Eu trabalho em casa e por isso estivemos quase, mesmo quase, sempre juntos. Com tudo o que isso acarreta, é certo. 
Não sei quais eram as suas expectativas em relação a estes meses e também não sei se sequer criou algumas mas sei que hoje ele tem muitas saudades nossas. Mais delas de certeza. Não digo isto com nenhum tipo de inveja ou ciúme, é maravilhoso que assim seja. Digo isto porque na amálgama que é este nosso amor tão doce, amar o pai fantástico que ele é, é mais um pedaço que nos fortalece.  
Ele nasceu para ser pai destas meninas que são as nossas filhas. Ele é o mais doce sem ser o lamechas, é o mais certo sem querer sempre a razão e é o mais forte sem ser duro. A Miss Caracolinhos diz de uma forma teatral que ele é o príncipe dela, o seu herói. Também és o meu. 

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Quase 4

Quase quatro meses.
Variamos entre o ciúme e a adoração embora seja a adoração pela irmã o que mais impera.
Os dias passam simultaneamente devagar e depressa mostrando que o tempo é, verdadeiramente, uma medida relativa. 
Tentamos ser felizes com o que a vida nos dá aproveitando as framboesas que amadurecem duas a duas ou os morangos que ainda vão aparecendo no jardim, aceitando que uma piscina de plástico, mesmo das pequenas, pode trazer muita alegria a uma criança de 3 e a uma adulta de quase (mesmo quase) 35, esperamos que a noite não seja muito dura ou que o dia seja de sol, tentamos não ser muito exigentes uns com os outros. Nem sempre conseguimos mas, quando isso acontece, é muito bom. 



quinta-feira, 18 de junho de 2015

Ela dorme...

Ela dorme. Ela mama. Ela dorme. Ela grita porque não fala. Quer atenção. Não quer estar sozinha. E lá vou eu, ou ele, ou ela. A correr. 
A nossa pequena Sara é uma bebé maravilhosa que cresce a olhos vistos. Está quase sempre bem disposta e sorri muito exibindo umas gengivas rosadas que me derretem completamente. Abre os olhos, estica a mão e estamos sobre o seu domínio. É feita de pregas esta minha filha. De pregas e um cheiro maravilhoso. Doce. Insinuante. 
Eu estou doente novamente, depois de umas dolorosas mastites nada como uma bela pneumonia para dar conta do recado. Digo a mim própria que deve ser da idade. Quase 35. Quase 35. Quase 35. Nem acredito, quase 35. E a mãe sou eu. A mãe de duas pequenas. 
A melhor das realidades é esta, aquela que eu construo todos os dias com elas. Sentadas no sofá a ver Alice no País das Maravilhas, a dar banho a pés pequeninos, enroscadas na cama a dar de mamar nas tardes de calor, a lavar as cerejas enquanto encharca a roupa e o tapete, a fazer bolas de sabão no jardim... pequenos momentos que me fazem feliz. Porque como diz a Cris "os dias são longos, mas os anos são curtos". Já li este texto umas 3 vezes. Quando me senti cansada, quando me senti desanimada e quando me senti frustada. Porque ser mãe (sem mais acrescentos aqui) também é feito desses sentimentos, dessas realidades. Menos bons, igualmente válidos.

terça-feira, 5 de maio de 2015

3 anos

Aviso para os mais incautos, este é um post extremamente lamechas. Uma declaração de amor à minha filha, à minha minha Miss Caracolinhos. 

Fazes hoje 3 anos. 
Faz hoje 3 anos que saíste de dentro de mim para o mundo. Nunca mais nada foi o mesmo. Nem comer, nem dormir, nem as lagartas na parede, nem os morangos, nem as cores do céu ou o formato da lua, nem ir à casa de banho ou tomar um duche, nem fazer um bolo, nem os livros, nem as músicas que canto, nem os filmes que consigo ver, nem os sapatos que uso ou a roupa interior que escolho, nem os abraços que aprendi a dar, nem os sonhos que, avida de ti, substitui tão rapidamente, nem as prioridades que soubeste definir tão assertivamente, nem os medos, nem o passar das horas, dos dias, dos meses, nem o meu corpo. 
O meu corpo esse é o que mais te sente, talvez seja esse o que mais nunca mais foi o mesmo, esse que te sente como seu, como parte, como certo. É nele que procuras refugio e é com ele que te protejo do mundo, que te resguardo, que nos aproximo do que fomos enquanto nos perdemos em abraços. E tu dás abraços maravilhosos, os melhores do mundo que estou certa aprendeste com o teu pai... ele não te ensinou só a seres forte, ensinou-te também a dar abraços, os melhores do mundo. A mim ensinaste-me a brincar novamente, a amar sem limites, a viver mais devagar. Resta saber que te ensinei eu. 


quinta-feira, 23 de abril de 2015

quarta-feira, 15 de abril de 2015

3+1 e tudo muda...

A Sara nasceu no dia 31 de Março. Desde as 16:00 desse dia que somos 3+1. Desde esse dia o nosso pequeno mundo ficou um pouco maior e mais cheio. E não digo isto porque ela chegou dona de umas bochechas gigantes patrocinadas pelos seus magníficos 4.440 kg, digo isto porque esta (assim não tão) pequena bebé foi imediatamente amada  por todos cá em casa. 
E com a Sara veio a certeza de que nada sei nesta história de ser mãe. Foi uma chapada de realidade enorme aos poucos perceber que passados três anos (a minha Miss Caracolinhos está quase a fazer os 3 anitos) eu já me esqueci o que é o peso de uma bebé, o que é limpar o cordão umbilical, o que é passar pela fase das mamas loucas, o que é a intensidade de amamentar novamente, o que é acordar de 3 em 3 horas ou menos, o que é ser mãe de um ser tão pequeno e tão inspirador de amor e cuidados, o que é esta dedicação, devoção e abnegação total a 51.5 cm de gente que com duas semanas de vida já me procura com os olhos. 
Nunca tive uma ideia de como ela seria na minha cabeça. Não me lembro de, em nove meses, sonhar uma única vez como ela seria. Se teria olhos castanhos ou verdes como o pai, bochechas pequenas, se seria cabeluda ou não, se teria mãos grandes ou pequenas. Nunca foi importante. Eu sempre soube que ela seria amada e que isso era tudo o que eu precisava de saber sobre quem ela viria a ser. Agora, enquanto ela dorme em cima do R., ou enquanto me olha ao mamar ou até mesmo quando agarra a mão da mana mais velha sei que ela é a nossa Sara.
Ela é perfeita. 



segunda-feira, 30 de março de 2015

Quase...Quase.

Fizemos 39 semanas no sábado passado. Estás quase a chegar minha pequena Sara e nós cá por casa não podíamos estar mais felizes e simultaneamente ansiosos. Bem, também estamos doentes mas isso é outra história... o que é uma garganta inflamada perante a alegria de em breve te ir ter nos meus braços? Conhecer a tua cara, sentir a tua respiração, ver os teus pequeninos pés e sentir que apertas o meu dedo pela primeira vez? Rien de rien... 
A semana passada fiz uma mantinha só para ti. Polar branco, viés de morangos e cerejas, uma manta simples mas só tua, para te abraçar ao mesmo tempo que eu. Tenho uma amiga que me relembrou o que isso era. Nesting, preparar o ninho. 
 

Por hoje, cama, sofá, café no jardim enquanto vemos as flores que desabrocham neste final de Março... também elas estão à tua espera. 







quinta-feira, 19 de março de 2015

Pai cá de casa

Não é a Tua Mão

Não é a tua mão 
filha 
que eu levo 
na minha mão 
é uma raiz 
que eu planto 
em mim mesmo.

António Reis, in 'Novos Poemas Quotidianos' 

Querido pai das minhas filhas, as nossas raízes crescem e nós somos mais juntos. Não há muito que te possamos dizer hoje que já não o façamos nos outros dias, por isso, escolhemos palavras novas... palavras emprestadas mas cheias de nós para te dizer, com os versos de outro, que contigo somos mais felizes. Hoje e todos os dias, PAI.