sábado, 31 de março de 2018

Três anos de Sara

Meu raio de sol pequenino, fazes três anos hoje. Que posso dizer  a quem não te conhece sobre quem tu és? Que posso eu escrever sobre a criança que és para que um dia ao leres as minhas palavras saibas, percebas e sintas intrinsecamente o quanto és amada, o quanto és maravilhosa? 
Deixa-me contar-lhes, e a ti, sobre a tua gargalhada. Da maneira como faz com que todos à tua volta parem para te ouvir, como se o tempo fosse nada e as urgências congelassem quando tu te ris minha filha. 
Deixa-me contar-lhes como és decidida, como a tua primeira resposta é eu sei e eu consigo, mesmo quando ainda nem começaste, como essa força e essa energia contagia quem te observa, como inspiras nos outros coragem. Deixa-me contar-lhes como és generosa com o que é teu, como te preocupas com as costas da mãe e os joelhos esfolados da mana, como brincas sozinha durante muito tempo e eu fico a olhar-te. Deixa-me contar-lhes como não gostas de falhar e adoras desafios, como franzes o sobrolho para mim de zangada que ficas e assim que eu te imito nos rimos juntas.  
Podia ainda falar-lhes, e a ti, da maneira como gostas de estar na rua faça chuva ou sol, da forma como cada gota de água no chão é para ti uma poça a ser explorada, como recebes com genuína alegria e desprendimento todos os sapatos, vestidos e brinquedos que já foram da tua irmã, como fazes com que aqui por casa se esqueçam dores e desalentos quando ergues esses olhos castanhos e nos olhas por dentro. Podia contar-lhes tanto de ti minha filha mas nunca chegar a conseguir explicar-lhes, ou a ti, o quanto o meu peito se enche de vida, de amor, de ar, só de te olhar, só de te sentir perto. 
Esta semana, saltaste para dentro de uma piscina de bolas de plástico, ficaste ali um momento até decidires e depois deste um mergulho. Eu estava a observar-te e vi-te toda, entregue, rendida e ao mesmo tempo forte, com a coragem que nasceu contigo e que te dá esse ar de quem é capaz de enfrentar qualquer mar minha doce Sara. 
Deixa-me contar-te, só mais uma vez antes de te acordar, que se houve, algum dia, a dúvida do amor gigante que sentiria por ti, essa há muito que se desvaneceu.  



1 comentário:

Escrevam-me de volta. Gosto de saber que não estou a "falar" sozinha.... :-)