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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

2017 em Fevereiro

Sim, 2017 já vai com quarenta e seis dias.
Já não escrevo há tanto tempo que parece que já não sei como o fazer.  A verdade é que sempre pensei no blogue como uma extensão das minhas necessidades, uma miscelânea de temas onde a costura e a família são os pontos de referência mas onde não existe uma obrigação de fazer, de partilhar. 
Há dias uma amiga querida perguntava-me como é que eu fazia tanta coisa. Eu não sinto que faça muita coisa, pelo contrário o final de 2016 deixou-me com um sabor meio amargo na boca porque sinto muitas vezes o oposto, que não faço nem metade do que queria. Aquela frase fez-me pensar. E pensar. Cheguei a uma conclusão parcial.
Claro que ter filhos pequenos e obrigações diárias não ajuda mas o problema não é o que faço ou deixo de fazer, é sentir que faço pouco daquelas coisas que me fazem crescer enquanto pessoa, aquelas coisas que são essenciais para nos mantermos sãos, felizes, plenos. Partindo do principio que isso existe para todos e que se manifesta da mesma forma. Eu, muitas vezes, tenho dúvidas. Duvido de mim frequentemente e hesito, mastigo ideias como as vacas ruminam a erva. Porque não tenho tempo, porque não é a hora, porque não sinto que esteja certo, porque podia fazer melhor. É difícil sermos responsáveis pela nossa vida. No entanto, o momento do salto é mágico. O começar algo novo (seja o que for), o lançar o corpo no vazio traz aquele frio na barriga que sinto cada vez que a montanha-russa começa a andar. 
Para 2017 quero mais fazer do que me faz feliz, seja brincar com as minhas filhas, jantar sushi com a minha amiga-terapeuta-tia-emprestada-musa-dos-dias-duros, seja bordar em vez de dobrar a roupa ou ficar sentada sem fazer nada só porque sim, seja falar mais com o meu R, ou dizer sim a sonhos novos. Quero menos desejar e mais trabalhar para, pontinho por pontinho, construir a minha vida como ela faz sentido. Para mim. 

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Outubro no jardim

Sinto que temos aproveitado estes dias de sol de Outubro. 
Fazemos um esforço para chegar cedo a casa e vamos para o jardim que nos tem oferecido framboesas em quantidade. Comemos directamente da planta. Só lavamos aquelas em que se vê o rastro dos caracóis, o resto é devorado no momento pelas duas pardalitas que me rondam as pernas. Está tudo verde e os dióspiros estão a ficar maduros. 
Não há como o jardim, como a natureza para mostrar que a vida brota, teima, cresce e sempre se renova. Seja na flor que nasce, ano após ano, cada vez mais bonita e forte, seja na planta que aparece dois metros à frente de onde está a sua origem e não sabemos bem que vento a levou. Para mim, estes ciclos são calmantes. Reconforta-me ver que agora as folhas vão começar a cair, que a planta perde as flores mas não tarda elas brotam novamente, que o fruto vêm depois da flor. Ajuda-me a lidar com as outras mudanças, as que não seguem uma ordem natural ou predefinida.
Esta é a minha luz favorita, o cheiro que me mais me apetece e os momentos que não trocava.  

 

Esta é a flor da Lúcia-lima. É uma cor fabulosa e de uma delicadeza incrivelmente bonita.
 


  

































segunda-feira, 25 de julho de 2016

36.

Fiz 36 anos e nem acredito. Nunca têm aquela sensação de "como/quando é que isto aconteceu"? Eu tenho, muito esporadicamente mas tenho. Normalmente é quando faço anos ou quando estou tão cansada que só me apetecia ser pequenina para não ser eu a mãe. Também tenho dias desses por aqui. E é dessa premissa que começam estes meus 36 anos.

Não sei como é que isto aconteceu, como cheguei aqui tão depressa, como vivi tanta emoção forte, avassaladora e aterrorizante, como aprendi e cresci com os outros - de dentro para fora e de fora para dentro tantas vezes, como se deu o milagre da vida dentro de mim para que dois seres tão distintos e tão lindos me chamem de mãe, como cheguei aqui e para onde vou em seguida. Sinto que este vai ser mais um ano de mudanças que se atropelam no caminho para ver quem chega primeiro. E, se há momentos em que isso me faz parar, não há nada como a realidade destes 36 anos para me trazer de volta. Uma realidade cheia de coisas que funcionam de bóia em mar tumultuoso. Ele, elas, eu.

Tenho tendência a olhar para o que me rodeia mais intensamente quando chega este dia. Como se estivesse parada a ver o filme de fora. É um exercício de esforço num mundo de tantos estímulos e distracções. Um que faço por mim, como uma prenda que me dou.
Clichés à parte (ou não), perceber que sou feliz é perceber que mudava muito pouco nesta vida que é a minha agora. É aceitar que as minhas escolhas estão longe de ser as que imaginei que seriam há cinco anos atrás, mas que isso não tem nada de mal. É ver que a vida ainda não se escreveu e alinhou como pensei que faria por esta altura, mas isso não tem nada de mal. É acreditar que aquilo que vem é sempre vivido para me dar algo se eu assim o quiser e estiver disposta a receber. É perceber que aos 36 podemos estar a começar algo exactamente como fizemos aos 30, aos 25, aos 11 ou aos 6, mas isso também não tem nada de mal. É fazer um esforço, voluntário, para compreender que a vida anda sempre para a frente mesmo que o nosso coração, ocasionalmente, pare por uns segundos. É não esquecer que o mais importante já por cá anda e que as vozes dos outros são o coro mas o solo é meu, só meu.

O nosso pequeno mundo a 3+1 está mais rico em experiência, maior em amor e um pouco mais velho em idade.



sexta-feira, 1 de julho de 2016

Camadas ou a influência da perfeição

As pessoas são como as cebolas, cheias de camadas. Onde é que já ouvi isto? A verdade é que são mesmo. É que somos mesmo. Dentro de um mesmo papel; mãe, tia, prima, filha, amiga ou empregada, somos feitas de partes que variam elas também consoante o momento. Eu não sou a mesma que era o ano passado e certamente não serei a mesma daqui a mais um ano. Mesmo que certas mudanças sejam imperceptíveis, certamente mais para quem só vê, ou quer ver, um lado, uma camada.  
Olho para as minhas filhas que mudam e que são seres maravilhosos cheios de camadas, que vou tentando conhecer aos poucos, e deslumbro-me com a luz que emanam. Com o amor que deitam à sua volta, com a generosidade que partilham, com a ternura que nos retribuem o quanto as amamos. Mas também vivo com as birras, com as dores, com as perguntas difíceis e inconvenientes, com os pedidos insistentes e exigências de atenção, com as noites que se dorme pouco, com o cansaço de acordar ainda não são 7 da manhã e ter que começar a ler histórias naquele momento, com os chichis feitos pelas pernas abaixo ou os gritos para mudar fraldas. E se esse lado não aparece em fotografias tão frequentemente, ou quase nunca, não é pela sua ausência, é simplesmente porque para não ficar doida eu escolho focar a lente no bom. Sim, sou eu que escolho onde concentrar a minha atenção, onde agarrar a luz e o que reviver. Porque é mesmo assim, há sempre luz e sombra. Amor e dor. Não conheço ninguém que nunca tenha chorado. 
Faz sentido? 
Neste mundo onde vemos tanta imagem bonita, tanta mulher (aparentemente) perfeita, tanta mãe que nunca se cansa de mudar de camada à velocidade da luz, tantas casas fantasticamente despovoadas de tralha e tantas crianças sem nódoas, é difícil não sentirmos que andamos a falhar em algum lado. Seja os quilos a mais (hum.. hum...), os brinquedos no chão da sala que lá estão há dois dias (hum.. hum) ou um jantar de coisas mal amanhadas que são as poucas que temos no frigorífico, tudo nos faz sentir que podíamos fazer melhor. Eu sou, assumidamente, essa mulher, a que sente que falha quando o jantar não é composto por três pratos. Estou a trabalhar nisto. Não porque três pratos está errado mas porque não é a escolha certa para mim. 
E depois de escrever este texto enorme percebi que o tinha feito somente porque precisava de atestar para o mundo que o que se partilha é uma parte, nunca a totalidade e que reviver o bom não é burrice mas sim uma opção. Uma que muitas vezes nos previne de ficar loucas e que nos ajuda a continuarmos a amar e a dar mais e melhor. 

E agora momentos perfeitos num dia imperfeito. ;-) 

 A lavanda e os mirtilos.


 A Sara, o Zacarias Pé Descalço, as margaridas e os dióspiros a crescer.
 A Sara, a pausa.


quarta-feira, 15 de junho de 2016

Os presentes da minha filha: My daughter's gifts

(scroll down for English)
Há um mês ou dois uma amiga partilhou, na sua pagina de facebook, o trabalho da fotografa Melissa Kaseman e eu apaixonei-me pela série Preschooler Pocket Treasures. Visitem a página e deliciem-se com a beleza do seu trabalho. 
No singelo daquelas fotos vê-se uma infância, percebem-se planos e desejos, sente-se a energia das cores e a fantasia de uma criança pequena. São pequenas coisas, um lápis ou uma lantejoula, um papel amarrotado ou uma pena, tesouros de verdade. Para mim, que tenho uma filha recolectora, fez todo o sentido. E foi inspirada no trabalho desta fotografa que comecei a registar todos os pequenos presentes da minha filha.
A minha Carolina traz-me, sistematicamente, prendas da escola; flores e folhas para mim, paus e pedras para ela.  Muitas dessas flores nem chegam a ir para a jarra... fizeram uma viagem de carro apertadas nas mãos de uma menina de quatro anos, algumas não têm caule/pé sequer, outras já vêm com as pétalas meio comidas e algumas são flores secas nas quais ela viu uma beleza ainda por desaparecer. Eu agradeço com um abraço, os beijos que ela me permite naquele momento e igual entusiasmo para todas. 
Este é o registo das últimas duas ou três semanas. Fotos tiradas em cima da bancada da cozinha, no telemóvel, sem edição. Vê-las aqui agrupadas faz com que fique de coração apertado, mas um apertado bom. Sou doida por esta miúda e suspeito que ela também gosta de mim um bocadinho pequenino. 

A month or two a friend ago a friend shared, on her facebook page, the work of the photographer Melissa Kaseman and I fell in love with the Preschooler Pocket Treasures series. If you can, visit the page and delight yourself with the beauty of her work.
In the unpretentiousness of those pictures you see a child, understand plans and desires, you feel the energy of color and the fantasy of a small child. They are small things, a pencil or a spangle, a crumpled paper or a pen, real treasures indeed. For me it made perfect sense, I have a gatherer daughter to say the least. So it was inspired by her work and this shooting that I started to register all of my daughter's small gifts.
My Carolina brings me, systematically, gifts when she comes from school; flowers and leaves to me, sticks and stones for her. Many of these flowers do not even go to a jar... they made a car ride in the hands of a four year girl, some have no stem / foot, others come with the petals all bitten and some are dried flowers in which she saw a beauty still to disappear. I thank her with a hug, all the kisses she allows me at that time and the same enthusiasm for all.
This is the record of the last two or three weeks. Photos taken on the kitchen counter, on the phone, without editing. Seeing them all together really makes my heart shrink a bit, I love this girl so much and I suspect she loves me back. 

sábado, 2 de janeiro de 2016

2016

Escrever é um exercício e uma forma de terapia. Enquanto faço a triagem de palavras na minha cabeça vou-me apercebendo do que me move, magoa, altera, condiciona, impele e ajuda a crescer. Por vezes, enquanto escrevo no ar palavras que são só minhas, durante muito ou pouco tempo, descubro mais sobre mim. 
Outras vezes, escrever é, simplesmente, a melhor forma de recordar. 
O ano passado, no dia 31 de dezembro de 2015, escrevi este texto e, hoje, foi maravilhoso voltar atrás e reconhecer-me nele. Sentir cada palavra como minha, cada esperança e desejo como promessa cumprida e cada gesto de amor que ambicionei completo em mim e nesta família que me acompanha. 
A promessa de uma filha amada cumpriu-se e ela é mais, muito mais do que o meu coração estava à espera. Devia ser sempre assim o amor por um filho. Enorme. Gigante. Cheio de cheiros e calor, de mãos e pés pequenos que se enroscam em nós, de muito colo e beijinhos no pescoço, de risos fartos e palermices mil. Que sortuda que me sinto quando olho para os seus doces olhos castanhos. Obrigada pelo teu amor minha pequena. 
Quanto à Miss Caracolinhos é uma fantástica irmã mais velha. Deixa que a irmã lhe puxe o cabelo sem se zangar muito com ela, apanha mil vezes o mesmo brinquedo que de propósito foi atirado ao chão, partilha o colo sem muito exigir em troca, faz de cavalinho e dá-lhe beijinhos sempre que pode. Não se pode querer melhor, não é? 
O amor dele, o meu amor maior, continua a fazer-me bater o coração com força. Sem palavras para o quanto me sinto grata por este amor, pela família que me deu, por tudo o que queremos e vivermos juntos. És tanto. 

Em 2015 tivemos o milagre da vida mas também a perda se fez sentir por aqui. Perdemos alguém que amávamos muito e isso fez-nos sofrer enquanto família e individualmente. Afinal, não existe dor partilhada, cada uma é única, reveste-se de roupas próprias e faz os danos que consegue. É a única coisa que não desejo que se repita em 2016, a dor, a perda, a tristeza. 
Tudo o resto pode ser assim, na mesma maravilhosa dose de amor.

Obrigada a quem me lê por aqui. 


terça-feira, 6 de outubro de 2015

3 + 1

Mudei. A morada continua a mesma mas a pintura da casa é diferente. 
Há seis meses nasceu a Sara e o nosso pequeno mundo cresceu, aumentou, expandiu. E, se na altura não houve tempo nem genica para mudar o penteado por aqui, passados 6 meses tinha mesmo que ser. 
E que tal... 3 + 1, parece-vos bem?

I Changed. The address remains the same but the house painting is different.
Six months ago Sara was born and our small world grew, increased, expanded. And if at that moment there was no time or will to change the hairstyle here, after 6 months we had to make time for it.
How about it ... 3 + 1, do you like it?

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Tempo

O tempo é mesmo um bem precioso. Cada dia que passo, e que passa, me apercebo mais que essa é uma realidade para mim. O meu tempo é precioso. Tempo para elas, para mim, para nós. Tempo para o que amo e me dá energia, tempo para o que faz o meu corpo ficar feliz, tempo para o que enriquece os meus sentidos, tempo para procurar o bom e descartar o mau.
E foi desta forma, a correr e a saltar, que se passou mais um mês. 
Tivemos o meu aniversário. A Sara cresceu mais 3 centímetros e já está, do alto de seu corpo de top model, com uns fantásticos 7 quilos. A Miss Caracolinhos deixou a fralda durante o dia e já escolhe as suas próprias cuecas. E assim começam os dilemas femininos. «hummm... levo as com fadas ou as com bolinhas brancas? Olha, umas da Minnie!» 
É uma irmã mais velha maravilhosa e empenhada a minha Miss Caracolinhos. Por vezes empenha-se demais e a irmã leva uma cabeçada ou um abraço com força em excesso mas mesmo assim é tudo feito com muito amor. 
Eu gostaria de me sentar mais à maquina de costura que sinto saudades, tantas, mas e o tempo para isso? Esse é gasto no que consigo fazer.
Já disse que o tempo passa a correr e a saltar por aqui? 



segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

9 dias

Passaram-se nove dias desde que escrevi aqui no blogue. Nove dias em que senti mesmo saudades de aqui vir escrever, partilhar o que me vai na cabeça e o que me anda a passar pelas mãos. Incrível, não é como nove dias podem parecer mais do que foram efetivamente.  
Uma das coisas que mais gostei neste nove dias foi de dar este presente à minha piolha. A minha Miss Caracolinhos tem nova mesa de pintura e para isso bastou uma toalha nova feita com um tecido da ikea e uns vasos também deles a fazer de potes para os lápis e marcadores... O facto de eu lhe ter dado carta branca para pintar a toalha foi a cereja no topo do bolo. Até tive direito a pintar com ela... e acreditem, é terapêutico. Escrever por aqui e pintar por ali. ;-) 



terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Vinicius

«A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.


A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.



O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflecte. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o património de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.»



terça-feira, 6 de janeiro de 2015

My top 5

A minha amiga Magda fez, nos últimos dias do ano, uma análise muito gira em forma de vários posts sobre o que melhor e pior tinha corrido no seu ano, reflexões e objectivos para 2015, tudo no que diz respeito à costura.... Eu fiquei a pensar naquela ideia e prometi a mim mesma que, para o ano, vou fazer uma coisa mais composta como ela mas que este ano vou fazer uma miscelânea copiando um bocadinho a sua boa ideia. 
Assim surgem o meu top 5 mas de tudo junto... ou seja, uma coisa que correu mesmo bem, uma que correu mal e porquê, duas reflexões sobre a experiência do último ano em costura e um objectivo para o próximo ano. (Sim, só um objectivo grande para 2015, vem ai outro bebé que vai precisar muito da mãe, keep it simple é um objectivo pessoal. ;-) ) 

1 - Mesmo bem - (esta é das mais custosas) gostei de tantas coisas que fiz para a minha piolha que seria demasiado complicado escolher, por isso, escolho o vestido que fiz para mim...!!! Podem espreitar aqui, se quiserem ver do que estou a falar. 
2 - Mesmo mal - (fácil, fácil...) esta saia, que apesar de ter instruções maravilhosas e de o tecido ser lindo e super macio, a minha piolha só usou (acho eu) uma única vez... de alguma forma consegui fazer uma peça demasiado curta!!! Estava minúscula! 
3 - Reflexões - A) Fiz amigas de costura este ano que foram um dos grandes presentes que este ano me deu. Amigas que partilham a maluqueira dos tecidos, dos botões e dos moldes, com quem posso falar de todas estas coisas sem ouvir bocejos, ver revirares de olhos ou sem me sentir a doida das costurices. Amigas que me incentivaram a fazer melhor, que comigo partilharam o seu conhecimento, que me inspiram continuamente. Obrigada meninas... 
4 - Reflexões - B) Sou uma principiante e serei uma amadora durante muitos anos. Conciliar tudo o que há a aprender com a vida que quero levar, profissionalmente e pessoalmente, é verdadeiramente complicado. Tenho que apreciar cada conquista em vez de me focar nas coisas que ainda não sei fazer... 
5 - Objectivo para 2015- Fazer mais peças para mim. Comecei o ano a limpar o armário. O desapego é uma arte intrincada para mim mas de tanto praticar lá chegarei ... fazer só peças que eu amo e não gosto, porque há uma diferença gigante e porque preciso de mais simplicidade na minha vida. 



segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Começar

Dia 01 de janeiro de 2015, dia de sol e frio, dia de azedas no jardim, de pequeno-almoço tardio e bem moroso, cheio de preguiça como nós que parecemos gatos ao sol. 


Começámos o ano com uma tradição que iniciámos o ano passado. Começámos o ano a abrir o nosso "frasco dos agradecimentos" e a ler todas as pequenas mensagens de agradecimento que tínhamos deixado um ao outro e aqueles que amamos. E quando digo frasco dos agradecimentos refiro-me mesmo a um simples fraco de vidro, com uma etiqueta escrita à mão, onde vamos guardando minúsculos pedaços de papel rasgados de qualquer parte com as pequenas coisas que nos fazer sentir agradecidos, aquelas que por qualquer razão não agradecemos logo em voz alta e resolvemos fazer silenciosamente mas de forma a que não fique esquecido. 
Começamos o ano entre lágrimas de alegria, de saudade mas sobretudo de agradecimento e reconhecimento pelo amor que partilhamos, pela família que estamos a construir, pelos amigos que nos rodeiam, os que surgiram ao longo do caminho e os que ficaram, pelas coisas verdadeiramente simples que fazem da nossa vida mais e melhor. 
É uma tarefa que pode parecer tola para muitos mas garanto-vos que é um exercício de introspecção muito saudável acima de tudo. Paramos por um pouco, reconhecemos, agradecemos e mais tarde recordamos. O ano passado não guardámos estas notas, este ano vamos guardar num envelope com data e fechar. Abrimos daqui a 5, a 10 ou a 20 anos para nos podermos lembrar o que nos fazia falta, o que nos movia, o que amávamos e o como éramos.  

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

2015

Enquanto vejo uma filha dormir (coisa rara que ela é o nosso despertador oficial),  sinto outra dentro de mim que me faz ver o quanto já faz parte dando-me cabeçadas, pontapés e afins com grande força. Sinto-a mexer e parece tão lógico, tão mágico e ao mesmo tempo tão estranho... Nesta fase, em que estamos quase a atingir os 6 meses, pergunto-me muitas vezes como será esta bebé. Terá as longas pestanas e enormes olhos castanhos da irmã? Partilharão o sorriso, a curva por cima do lábio ou as sobrancelhas perfeitas?
Vou ter uma bebé em 2015, uma filha pequenina que se vai chamar Sara. Alguém que estou certa de ir amar com uma força surpreendente até para mim que já me assustei da primeira vez. O meu maior desejo para 2015 é que tudo corra bem com ela, que seja saudável. Ponto. Sem outros grandes artifícios. Sem malabarismo. Que seja saudável porque tudo o resto com tempo, com amor, com paciência e dedicação esta família lhe dará. 
Depois vem a minha primeira filha, a minha Miss Caracolinhos. Desejo que ela sofra somente o inevitável com a chegada da irmã. Que eu e o R tenhamos a força, a inteligência e a sensibilidade para percebermos quando ela estiver a sofrer, para não nos zangarmos (muito) quando ela se atirar para o chão com aquela birra de ciúmes, para a abraçar quando ela mais precisar. Que continue a crescer feliz, generosa, meiga e forte como tem crescido até agora. Que se torne a maravilhosa irmã mais velha que eu sei que ela um dia vai ser. Teimosa mas maravilhosa. 
E agora nós. Eu e tu. Que sejamos mais do mesmo, já só peço isso. Que me ames da mesma forma, com a mesma doçura e carinho, com a mesma tenacidade e dedicação, com a mesma generosidade de afectos e que eu saiba, todos os dias, dar-te o valor que mereces e amar-te de volta. 

Sei que vai ser um ano duro, longo e complicado. De adaptação a um novo bebé, a uma nova dinâmica familiar, a uma nova etapa nesta vida que implica tantas pequenas coisas que seria demasiado aborrecido enumerar agora mas que farão tanta diferença no nosso dia. Não tenho ilusões ou pelo menos tento não as ter. Mas tenho e tento ter sempre, esperança. Esperança naquilo que eu posso fazer, naquilo que podemos construir juntos ou individualmente, nos alicerces que cravamos nos corações dos que amamos e que nos amam de volta.
Eu despeço-me deste ano com um sentimento de gratidão enorme por já ter tanto e estar a caminho de mais ainda.

Um 2015 com aquilo que mais precisam.




terça-feira, 23 de dezembro de 2014

A minha lista...


Mais banhos de imersão. Com muita espuma.
Mais pipocas no sofá.
Mais manhãs de sol.
Mais tardes de chuva no quentinho.
Mais beijos daqueles que importam.
Mais tecidos de cor.
Mais gargalhadas.
Mais abraços ao deitar.
Mais cartas escritas à mão.
Mais livros nas estantes da sala. E na cozinha. E na casa de banho. E no quarto.
Mais aguarelas nas paredes.
Mais fotografias do que faz bater o coração.
Mais bolos de chocolate. Com recheio de chocolate. E cobertura de chocolate. E pepitas de chocolate por cima. Para comer devagar, devagarinho.
Mais andar sem sapatos na relva. E na areia.
Mais almoços sob o sol de inverno.
Mais música para aquecer o coração e fazer os pés dançar.
Mais amigos novos.
Mais flores plantadas no jardim. Num canteiro. Num vaso.
Mais lama nos sapatos.
Mais jantares à luz de vela sem razão aparente.
Mais reciclar de roupa, de pensamentos, de tudo.
Mais fazer ronha na cama.
Mais cócegas na barriga.
Mais beijinhos à esquimó.
Mais família.

Menos medo, menos cansaço, menos sono, menos ilusões, menos dor, menos tempo desperdiçado com coisas pouco importantes, menos desilusão, menos perda. 

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

1 ANO e um longo resumo...

Fez no passado dia 26 de Setembro, 1 ano que comecei a escrever este blogue.
Foi nesse mês que o R me ofereceu uma máquina de costura. Foi nesse mês que comecei a fazer, profissionalmente, algo que nunca tinha feito até à data, foi também nessa altura que o meu mundo deu uma cambalhota seguida de um mortal duplo. Prioridades, referências, sonhos, ambições, sofreram uma reestruturação forçada. Forçada por mim, é certo, mas mesmo assim não menos penosa. 
O que inicialmente projectei como um blogue sobre costura, inspirado pela minha vontade de fazer coisas para a piolha de quem tinha sido mãe há 16 meses (na altura), rapidamente se tornou num relato das nossas vidas. Um lugar onde exponho as minhas incertezas e medos enquanto mãe e mulher, assim como as minhas alegrias enquanto mãe e mulher.  Nunca perdi de vista o que me fez começar e tenho feito muito do meu percurso com a ajuda de outras bloggers e costureiras, de pessoas que generosamente partilham as suas vidas e experiências, ensinando quem quer aprender com elas.
Obrigada.  
Só quando tentei resumir o que tinha feito durante um ano, 365 dias em que fui muito feliz e ocasionalmente infeliz, é que me apercebi da quantidade de coisas que costurei. Fosse para oferecer a amigos, para a piolha, para a casa ou para mim são tantas as pequenas e grandes coisas que fiz que acabei por deixar algumas de fora neste "resumo" visual.
E aqui fica um ano de costuras porque um ano de vida, de felicidades, amores e tristezas, desilusões, sucessos e fracassos, de crescimento e de incertezas não cabiam neste post, nem eu estou certa de conseguir fazer um resumo honesto por palavras.



Obrigada por me lerem, por comentarem, por voltarem. 

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Tá bem

A minha filha está a crescer.
Sim, sei que parece bastante óbvio que assim seja. Afinal, é a sequência natural. Ela tem de crescer. E tem feito isso mesmo desde o dia que nasceu. Um dia vai parar, eventualmente. 
A linguagem tem galopado nos últimos meses. Começou devagar, no verão passado. Com a língua sem saber bem para que lado ir dentro da boca. E nós a vermos a  confusão espelhada nos olhos enquanto a língua não fazia o que ela pensava que queria ou devia fazer.
Começou devagar mas incrivelmente sonora. Gritava as palavras. Não as sussurrava na sua insegurança de bebé. Gritava-as. Tal como se as palavras estivessem guardadas dentro do seu pequeno peito e, tivesse chegado um dia em que já não tinha espaço dentro dela para as guardar. As palavras aprenderam um novo caminho e em vez de ficarem quietinhas no seu resguardo, explodiam como balões de água. Ninguém conseguia ficar indiferente. Nós não queríamos ficar indiferentes. Ela gritava mãe e pai como uma carroceira. Nós adorámos. 
Eu falo muito com ela. Estamos muito tempo juntas. Partilhamos os fins de tarde, os gelados e o baloiço, vemos a lua aparecer e os pássaros a cruzar o céu, contamos os aviões, observamos as formigas e cantamos a canção da joanhinha voa voa. 
Sei que muito do que diz aprendeu comigo e isso dá-me um calor tolo. Nem um ano passou e já me responde... "tá bem" com enfado. Também deve ter aprendido comigo. Agora é esponja. Absorve as palavras. Abre os olhos, imita o que se diz. O gesto acompanha e é vê-la mini-mimo. A repetir palavras das grandes, daquelas que levam várias voltas de língua. Já diz "oh não", "num conchigo", "ajuda", "bachio" e mais umas trezentas palavras com o som ch pelo meio. 
As minhas favoritas até agora são "eu também" quando lhe digo que gosto dela. 
A minha filha está a crescer. 

terça-feira, 1 de julho de 2014

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Quero

Há dias em que me assusto com o mundo. Nesses dias, apetece-me esconder a cabeça e fingir que não estou a ver. Pode ser que passe depressa por mim, neste meu canto do mundo, sem fazer dano. Infelizmente, ou felizmente, não consigo fazê-lo. 
As minhas convicções e princípios são fortes, o meu coração já aprendeu a sofrer e a sarar por isso assusto-me principalmente pela minha filha. 
Quero que ela seja forte, quero que o amor que lhe dou estimule as raízes das sua autonomia e independência. Quero que ela aprenda a sofrer com a vida e que isso não a derrube. Quero que saiba que o meu colo será sempre seu, tenha ela 5 ou 50. Quero que aprenda a ver a beleza em todas as manhãs. Quero que ela saiba que dentro dela existe uma luz de integridade, generosidade, bondade e amor que ela não pode deixar que ninguém amachuque, manche ou escureça. Quero que ela respeite todos os seres humanos, animais e plantas, toda a vida que existe, todos os seres e exija o mesmo para si. Quero que ela saiba que o mar pode ser vermelho, que a areia pode ser preta, que não precisa de beber o leite todo, que pode sujar a roupa, usar o bacio só quando lhe apetecer, que não tem de deixar de sonhar com luas cheias e deixar de ler livros todas as manhãs, que aprender é uma viagem maravilhosa, que todos somos diferentes e aprendemos de formas, maneiras e ritmos diferentes, que não precisamos de ser obedientes e fazer como todos fazem, que na escola se fazem amigos.

Quero que ela saiba que não existe amor a mais, só a menos. O meu será sempre dela.